Um dia especial na Maison Emilio Pucci

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No último final de semana,  dias 13 e 14 outubro, aconteceu o evento “Les Journées Particulières”, uma iniciativa da qual participam as grandes casas de moda a nível mundial. Um dia onde  grandes maisons abrem as portas de seus suntuosos salões, antigos palácios, laboratórios artesanais e oferecem a um público determinado a oportunidade de uma visita guiada ou em total liberdade a esses lugares geralmente inacessíveis. É realmente, uma oportunidade única de conhecer  a história e os segredos destas  grandes Marcas.

Como blogueira da Ludovica, fui convidada pela marca Emilio Pucci a acompanhar a textile Designer e  fashion innovator, Ivana Cerisara, para uma visita guiada ao histórico Palácio Pucci em Florença, um verdadeiro tesouro renacentista. Esse incrível Palácio é a residência da família Pucci desde o século XIII, atualmente vive a herdeira da marca Laudomia Pucci.

É também, o lugar onde nasceu a Maison Emilio Pucci e onde se encontra o arquivo histórico de todas as coleções da marca,  os laboratórios de costura e a primeira loja. Essa foi  a primeira vez na história que suas portas  se abriram para visita. E também, pela primeira vez foi possível descobrir o trabalho desenvolvido  para tutelar o próprio patrimônio cultural e entender a influência desta herança na atual identidade da marca.

A visita foi com horário marcado e desde os primeiros passos tudo foi de grande impacto e surpreendente, algo realmente mágico.   Girar pelos magnifícos salões desta  magnífica “Dimora” Histórica já é algo incrível, mas quando a esta experiência, se une a atmosfera de uma grande Maison de moda,  onde a beleza e a criatividade são as maiores protagonistas, tudo se torna difícil de descrever com as palavras. A decoração atual é uma grande homenagem às cores. Após uma recente restauração, que contou a colaboração de Piero Lissoni, os antigos corredores e salões foram decorados nas tonalidades “Capri blu” (um azul celeste) e “Emílio Pink” (um rosa pink).  Cores essas, ícones da maison e que revestiam os armários  renascentistas da primeira boutique histórica de Emilio Pucci.

  O resultado é realmente lindo, um elo de perfeita sintonia entre o antigo e contemporâneo.  Tapetes azuis e rosa cobrem todo o piso do palácio e cadeiras de design revestidas com tecidos da coleção criaram cenários de maravilhar os olhos.  Fiquei especialmente encantada com a grande Sala Branca onde se realizavam os desfiles nos anos 50 e com a poltrona UP de Gaetano Pesce revestida com tecidos da Marca.  Um percurso que nos permite viajar através da  alta moda, do design, da história, da cultura, da  arte e da beleza.

As  imagens abaixo contam melhor que as palavras:

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foto 02 - Grande Sala Branca de Palazzo Pucci - divulgação                                  foto divulgação Emilio Pucci – Grande Sala Branca

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foto 09 - Poltrona Up revestida com tecido da marca Emilio Pucci                                                  Poltrona UP de Gaetano Pesce

foto 10 - Eu e Ivana na poltrona Up de Gaetano Pesce                                                  Ivana e Eu  na poltrona UP

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foto 07 - Um dos afrescos de Palácio Pucci

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Texto publicado na Revista Ludovica

Um dia na Fundação Prada

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A Fundação Prada existe há mais de 20 anos e recentemente presenteou Milão com uma sede de relevante  dimensão,  um complexo de 19 mil m2,  dedicados  à cultura e arte, mas não somente,  literatura, cinema, música, fisolofia  e ciência averão seu espaço de discussão e autonomia. A perspectiva é que  se torne um polo para a arte contemporânea na cidade, uma vez que é o  principal instrumento de trabalho da Fundação.

Dias atrás fui visitar a tão comentada sede,  uma antiga destilaria de um bairro industrial  que foi magistralmente reformulada pelo Studio  OMA guiado por Rem Koolhas, famoso arquiteto Holandês. Para dizer o menos, superou minhas, já grandes, expectativas. A  arquitetura  me tocou e impressionou!

Belíssimo o projeto de Koolhas,  aos  edifícios já existentes foram adicionadas  novas estruturas, que dialogam   perfeitamente com as antigas,  um equilíbrio criado através  belos jogos de espelhos, cimento branco e revestimentos de espumas de alumínio.  Acertadíssima a       sobriedade do  cinza  interagindo com  folhas de ouro que revestem um dos prédios. Como  resultado  um local harmônico, inovativo e ideal para se desfrutar  o dia todo.

O percuso é organizado em diferentes prédios, numa sequência de ambientes que   apresentam contrastes aparentes como velho e novo, horizontal e vertical, aberto e fechado, secreto e visível, feitos propositalmente  para “estabelecer a variedade de oposições que descrevem a natureza da nova Fundação”. Uma diversidade   que  instiga a mente e  contribui para que tenhamos  um olhar mais profundo e acurado das obras.

Os espaços expositivos se dividem entre mostras  temporárias e permanentes, que predominantemente, acolhem obras da espetacular coleção pessoal da presidente da fundação Miuccia Prada e seu marido Patrizio Bertelli, acumuladas durante anos. A sede ainda ospeda um belo cinema com 200 lugares, uma biblioteca, uma seção dedicada às crianças e o bar luce.

Entre as mostras eu destacaria a Haunted House, com exposição permanente de Louise Bourgeois e Robert Goberd, localizada  no prédio dourado, possui um percurso vertical desafiador e nos incita  a interessantes reflexões.

Ao final da visita, fiz uma pausa para aperitivo  no convidativo e encantador Bar Luce. Idealizado por Wes Anderson, diretor do filme Grande Hotel Budapest, em estilo retrô, recria a atmosfera  das antigas cafeterias Milanesas, inspirado no cinema italiano dos anos 50 e 60. A decoração se enriquece consideravelmente com  a reprodução de detalhes arquitetônicos  da Galeria Vittório Emanuele no teto e parte das paredes, lindo!

Um dia para transitar entre   Idéias, Cultura, Arte, Arquitetura, Cinema, Ousadia e   Originilidade!

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Foto Lenise - mostra de Louise Bougeois

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Fotos: Take by me

Roma recebe Davide La Chapelle

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Foto Take by me

Meu contato mais próximo com a obra do fotógrafo norte  americano  Davide  La Chapelle se deu através de minha atuação como designer de interiores, de vez que é um artista e fotógrafo muito apreciado e cotado na Itália. Algumas de suas obras inclusive, serviram de inspiração para vários ambientes que criamos.

Assim, já familiarizada com o instigante trabalho desse artista, fui, como dizem os Italianos, “spinta” a visitar a grande mostra aberta no  monumental “Palazzo delle Esposizione” em Roma, uma das maiores e mais aguardadas retrospectivas dedicada  à La Chapelle, com mais de 100 obras em grande formato, que estará aberta até 13 de setembro de 2015.

Sua performance com incursões absolutamente inovativas e criativas o tornou célebre no mundo publicitário, discípulo de Andy Warhol, foi por este consagrado na revista interview em 1980, e a partir daí, com apenas dezessete anos, construiu uma carreira de imenso sucesso, principalmente no mundo da moda. Entre as estrelas de suas fotografias estão Michael Jackson, Madonna, Elton John, Lady Gagá, David Bowie.

Em 2006 durante uma visita privativa à Capela  Sistina, a sensibilidade de  La Chapelle foi profundamente tocada pela grandiosidade da obra de Michelângelo, e  o fascínio  pelo gênio renascentista,  o inspirou  a produzir a   serie denominada “ The Deluge” O Dilúvio. Esse  momento único provoca uma radical transformação em sua carreira, ele abandona o mundo da publicidade e das páginas de revista, e libera todo seu potencial criativo, toda loucura aprisionada em sua mente fértil para produzir obras essencialmente artísticas.

A mostra em  Roma intitulada “ Dopo il Diluvio” ( Depois do Dilúvio) enfoca principalmente, o novo processo criativo do artista surgido após a guinada de 2006.  Contudo, estão também expostas uma série de obras criadas entre 1995-2005, que permitem ao público avaliar sua fase precendente, que  lhe conferiu fama mundial.

Estar diante das obras de La Chapelle representou para mim uma antiga aspiração, que preencheu plenamente minhas expectativas, tamanha a beleza de suas criações. Uma explosão radiante de cores esteticamente apuradas, aliada a uma insanidade lúcida, que não sabemos onde começa e termina o onírico e a realidade.

Seu surrealismo satírico e provocante, revela um artista com grande conteúdo humanista, preocupado com as questões sociais e inconformado com o comportamento do homem na  sociedade pós-moderna.

Saí da mostra com o espírito trabalhado pelas emoções do artista, La Chapelle nos transmite  beleza, originalidade, senso crítico, rebeldia e nos desperta grandes reflexões.

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